CELEBRAR O SNS

A pandemia, que o SNS soube enfrentar com a coragem e a disciplina de um guerreiro, deixou para trás milhões de consultas presenciais e episódios de urgência, outros milhões de exames complementares de diagnóstico e terapêutica, muitos milhares de cirurgias e tratamentos oncológicos… Estamos agora, com grande dificuldade, a correr atrás do prejuízo.

António-Pedro Vasconcelos

O cineasta António-Pedro Vasconcelos faz uma análise à História do Serviço Nacional de Saúde e salienta a importância da sua preservação em tempos de pandemia.

Nós

Somos um grupo de cidadãos preocupados com o nosso País e o nosso Serviço Nacional de Saúde. Temos idades e origens profissionais diferentes, e temos uma preocupação em comum: a saúde de todos nós. O momento que vivemos – a pandemia de Covid-19 – levou-nos a criar este movimento cívico e apartidário. Há um sentido de emergência que nos impele a avançar.

A Covid-19 deu-nos a todos uma grande lição: as áreas da saúde e sociais têm um enorme impacto, inclusive económico. A aprovação do Orçamento Suplementar do Estado exige, por isso, este passo em frente: o SNS tem de ser fortalecido de uma vez por todas.

É preciso que os agentes políticos não o esqueçam e preparem, desde já, o futuro. O SNS respondeu a esta pandemia, mas teve de deixar muita gente para trás. Contamos com a Ordem dos Médicos e dos Farmacêuticos para nos apoiarem na concretização deste importante exercício de cidadania que se encontra naturalmente aberto à participação de todas as pessoas. Quem somos? Somos portugueses que querem um SNS mais forte e mais preparado.

As dez decisões que têm de ser tomadas
neste orçamento suplementar

As dez decisões que têm de ser tomadas
neste orçamento suplementar

Garantir médico de família e equipa de saúde para todos os cidadãos.
Meta: Num ano atribuir médico de família aos 700 mil cidadãos que ainda não o têm.

Aumentar o acesso a todos os cuidados de saúde e através de Programa Excecional resolver as listas de espera para cirurgias, consultas e exames complementares de diagnóstico e terapêutica, num exercício de apuramento real das necessidades e de aproveitamento dos recursos existentes.

Meta: Num ano, recuperar atividade prejudicada pela COVID-19 e cumprir os TMRG em todas as especialidades.

Desenvolver Vias Verdes Clínicas abertas e Vias Verdes com o apoio da telemedicina promovendo uma melhor articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares.

Meta: Em seis meses, aperfeiçoar a integração entre cuidados de saúde de proximidade e hospitalares, encurtando o tempo de espera de doentes prioritários e evitando idas desnecessárias aos hospitais.

Integrar e expandir a hospitalização domiciliária, promovendo a telemedicina e desenvolvendo serviços específicos para assistência no domicílio, em articulação com o sistema de saúde e as associações de doentes.

Meta: Em seis meses, aumentar o conforto, a qualidade e acesso dos doentes nos seus domicílios, sem redução do acompanhamento especializado, aproveitando também as novas capacidades da tecnologia da medicina à distância.

Equipar as unidades de saúde e integrar aplicações móveis para aperfeiçoar e desenvolver a medicina à distância na monitorização e seguimento de doentes crónicos;

Meta: Num ano, capacitar e organizar o SNS para ter como resposta complementar, em situações específicas, a medicina à distância, evitando deslocações desnecessárias dos doentes e familiares, e monitorizar com mais frequência alguns doentes crónicos.

Garantir proximidade na dispensa de medicamentos.

Meta: Em seis meses, reforçar os serviços de proximidade ao cidadão, em articulação com os serviços hospitalares.

Garantir o acesso à inovação terapêutica e tecnológica.

Meta: Num ano, assegurar o cumprimento da média europeia no tempo de acesso à verdadeira inovação (medicamentos, dispositivos e equipamentos).

Projeto 10 milhões de Portugueses – mais literacia, mais prevenção, mais participação.

Meta: Em seis meses, disponibilizar o acesso gratuito a plataformas digitais de apoio a decisão clínica, formação, literacia e prevenção, para os profissionais de saúde e todos os cidadãos.

Reforçar a governação clínica das unidades de saúde, valorizar os profissionais e reorganizar os serviços hospitalares em unidades de cuidados integrados e centros de responsabilidade integrados.

Meta: Em seis meses, promover a valorização dos profissionais e das suas carreiras, a autonomia, eficiência e flexibilidade na gestão das unidades de saúde e serviços, com lideranças efetivas, reconhecidas e responsáveis, centradas no conhecimento, na competência e na carreira.

Evoluir para um orçamento público da Saúde em % PIB equivalente à média da UE, com uma lei de meios e orçamentação plurianual.

Meta: O financiamento do SNS deve aumentar na ordem dos 7,5% ao ano, nos próximos cinco anos.

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SOS SNS – António-Pedro Vasconcelos
#SOSSNS – Mariana Malcata
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